O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, admitiu nesta terça-feira, dia 1º, que há uma discussão sobre abertura de capital do banco, o único 100% público do país. A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão do Trabalho e do Serviço Público da Câmara dos Deputados.

“Mesmo que tenha dito que abrir o capital não é privatização, fica clara a intenção de enfraquecer a empresa, que deixará de ser 100% pública para atender a interesses de acionistas”, afirma Jair Ferreira, presidente da Fenae. 

Ao responder ao questionamento da deputada Erika Kokay, o atual presidente da Caixa disse textualmente: “Existem uma série de discussões e realmente existe uma discussão sobre abertura de capital da empresa, essa é uma discussão interessante. A gente não está falando em privatizar, estamos falando em abertura de capital”. Ele finalizou dizendo que “pode chamar na Caixa” alguns deputados que queiram entender mais a fundo o que eles estão fazendo.

 Usando de muita retórica, Pedro Guimarães afirmou que a Caixa é do povo brasileiro e para todos, mas se contradisse ao afirmar está em discussão a possibilidade de abertura de capital. Jair Ferreira, que expôs na audiência as preocupações dos empregados, lembrou que o anúncio de venda de carteiras rentáveis, do setor de seguros e segmentos das loterias, a redução de pessoal de 105 mil em 2015 para 82 mil atuais, enfraquece a empresa e compromete o papel social que a Caixa desempenha desde 1861. 

Autora do pedido de audiência, a deputada Erika Kokay (PT-DF), questionou o presidente da Caixa: “Se por um lado o senhor diz que não há intenção de privatização, por outro o seu chefe, o ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que a intenção é privatizar tudo e Bolsonaro declarou que deve se vender uma empresa pública por semana, que está demorando muito para privatizar. Então precisamos ter clareza de que há um risco sim de que a empresa perca sua característica pública e seja esquartejada”, afirmou ela.

Apenas mais 800 empregados

Durante a audiência o presidente da Caixa anunciou a contratação de 800 empregados, que se somarão aos cerca de 2 mil PCDs (pessoas com deficiência) contratados recentemente. “A contratação dos PCDs, que foi recomendada pelo Ministério Público e ainda não atende ao percentual exigido por lei,  e o anúncio da contratação de mais 800 empregados, ainda é muito pouco para suprir a demanda reprimida das agências e mesmo somado nem sequer repõe as três mil demissões ocorridas só neste ano”, afirma Dionísio Reis, coordenador da Comissão de Empregados e diretor da Fenae. 

Confrontado pela deputada Erika com os números da pesquisa feita pela Fenae, em que 60% dos empregados se dizem sobrecarregados de trabalho, em situação de assédio moral, temendo a reestruturação, mudanças bruscas na vida funcional,  e em que afirmam que sofrem com planos de metas  não debatidos com os empregados, ele afirmou que não tem conhecimento de assédio moral dentro da empresa. A deputada lembrou ainda a preocupação dos empregados em relação a manutenção  do Saúde Caixa para todos, ainda mais preocupante por conta do adoecimento da categoria. Na mesma pesquisa um em cada três empregados admite fazer uso de antidepressivos.

 FGTS fora da Caixa? 

O presidente da Caixa disse também que não há orientação governamental para que a Caixa deixe de ser a gestora do FGTS, mas não explicou por que o governo decidiu retirar a Caixa do Conselho Curador do Fundo. “A empresa assume os riscos da gestão dos recursos do fundo, mas não participa das decisões sobre ele? Isso não é valorizar a empresa”, afirmou Erika.

Apesar de estar percorrendo o país inaugurando obras do Minha Casa Minha Vida contratadas em governos anteriores, Pedro Guimarães disse que não pode se posicionar sobre a redução drástica de investimento no programa – de R$ 4,6 bilhões, em 2019, para R$ 2,7 bilhões, previstos para 2020 –, porque “são decisões orçamentárias do governo”. 

 “Apesar do discurso de valorização da empresa, a atuação da atual direção vem no sentido contrário disso. Ainda pairam muitas dúvidas sobre os rumos que pretendem dar ao banco de todos os brasileiros”, avaliou Jair Ferreira, que acredita que só a mobilização permanente dos trabalhadores e o esclarecimento à sociedade podem vencer a intenção privatista do atual governo. 

Fonte: FENAE