O cenário econômico e o lucro dos bancos foi tema da segunda mesa de debate da 24 ª Conferência Bahia e Sergipe neste último sábado (14/5). Em sua exposição, a supervisora técnica do Dieese Bahia, Ana Georgina Dias, mostrou que os bancos continuam lucrando alto, apesar da crise econômica que assola o Brasil.

Para se ter uma ideia, os cinco maiores bancos em atuação no país – Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa – lucraram R$ 28,1 bilhões, o que representa um crescimento de 17,5% em 12 meses. Um ganho fantástico, levando em conta que a pandemia do covid-19 ainda não acabou totalmente e o setor produtivo ainda se recupera dos efeitos das restrições sociais e de circulação da população.

Os ativos totais destes mesmos cinco bancos somaram R$ 8,3 trilhões, uma alta média de 14,5% em 12 meses. Os patrimônios líquidos juntos chegam a R$ 646,6, com alta média de 8,1% no período de abril de 2021 a março de 2022.

O aumento dos ganhos tem como um dos seus pilares o crescimento das carteiras de crédito, que somaram R$ 4,2 trilhões e alta média de 13,5%. Parte deste aumento tem reflexos no endividamento da população, já que a renda não acompanha as taxas de juros.

Outras fontes de lucros são as tarifas e serviços, que renderam R$ 36,2 bilhões, aos cinco bancos, apenas nos primeiros três meses de 2022.

Apesar de tanta lucratividade, os bancos fecharam 1.011 agências físicas nos últimos 12 meses e novos formatos estão sendo implementados. Neste período, Bradesco e BB fecharam 2.609 postos de trabalho. Itaú, Santander e Caixa abriram 13.103 vagas, gerando o saldo positivo de 10.494 postos abertos. Vale ressaltar, que muitas das vagas abertas são no setor de tecnologia, o que não reflete na diminuição das filas e sobrecarga de trabalho nas agências.

N avaliação de Ana Georgina, os números mostram que os bancos têm todas as condições de garantir um reajuste de salários e os direitos dos bancários. O que não quer dizer que a campanha salarial será fácil.

Ela ressalta ainda a importância da campanha nacional dos bancários para o conjunto da classe trabalhadora. “O bancário é uma categoria paradigmática, cujas conquistas servem de exemplo para outras categorias, principalmente as que não têm tanta força de negociação. Por isso, a campanha de vocês vai muito além das conquistas econômicas que possam gerar”, concluiu.

Fonte: FEEB BA/SE