Pressão por metas, falta de estrutura, sobrecarga de trabalho. O modelo de gestão adotado pela Caixa vem se apresentando como um indutor de adoecimento, levando os trabalhadores a um elevado nível de complicações de saúde. Um em cada três empregados da Caixa teve alguma doença em decorrência do trabalho nos últimos 12 meses, a grande maioria (60,5%) relacionada a sofrimento mental. A depressão está presente em 10,6% dos relatos e os antidepressivos são os remédios mais usados entre os empregados da Caixa (28,3%).

A pesquisa Saúde do Trabalhador da Caixa, encomendada pela Fenae ao Instituto FSB Pesquisa, mostra que as doenças associadas a uma rotina física cansativa, comuns entre os bancários, perderam espaço para as dores emocionais, a chamada “dor da alma” - forma como também é conhecida a depressão. Porém, o índice de Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) ainda apresentam índices bastante expressivos, 14,1% dos casos. Por outro lado, 24,8% dos relatos incluem o estresse e 21,2% se referem a depressão e ansiedade.

Vale lembrar que, de acordo com o levantamento estatístico do INSS para fins de enquadramento do chamado Nexo Técnico Epidemiológico (NTEP), que relaciona a atividade econômica das empresas com cada tipo de adoecimento, as doenças dos códigos “F” (relacionadas ao sofrimento mental) e “M” (osteomusculares) previstas na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), são características do trabalho bancário, portanto, não necessitam de comprovação para serem caracterizadas como doenças do trabalho.

De acordo com o levantamento elaborado pelo FSB Pesquisa, um em cada três empregados tiveram problemas de saúde relacionados ao trabalho nos últimos 12 meses. Entre estes, 53% tomaram remédio. Os medicamentos mais usados foram os antidepressivos e ansiolíticos, que somados correspondem a 35,3%, anti-inflamatórios (14,3%) e analgésicos (7,6%).

“Muitas pessoas sofrem caladas por longo tempo e, somente quando o organismo não suporta mais, buscam ajuda profissional, com o quadro já muito agravado. O alto índice de suicídios de empregados nos últimos anos é um indicador dessa triste realidade. A negligência da direção da Caixa é, no mínimo, irresponsável. É mais do que urgente rever conceitos e adotar uma política para prevenir problemas de saúde dos trabalhadores”, afirma a diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus.

A pesquisa ouviu dois mil empregados da Caixa entre os dias 2 e 30 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Confira mais dados da pesquisa.