O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (8/8), que o órgão estuda medidas para reduzir o spread bancário, reduzindo assim os juros do crédito para pessoas físicas e jurídicas.

Diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo, o spread é um dos componentes dos juros no mercado para o consumidor e para as empresas. Nele, as instituições financeiras embutem uma série de custos operacionais, administrativos, impostos e margem de lucro, que fazem do crédito no Brasil um dos mais caros do mundo.

Dados do Banco Central mostram que, no acumulado do ano, a média do spread no crédito para a pessoa física junto ao sistema, com recursos livres, cresceu neste ano. Em junho, foi de 46,2 pontos, com alta de 5,5% no ano e de 2,8% no acumulado em 12 meses, conforme mostra o quadro ao lado.

Não à toa, acompanhando a alta do spread, os juros para a pessoa física não caem. Entre maio e junho, a taxa anual do cartão de crédito rotativo, por exemplo, passou de 320,95% para 322,2%. No crédito não consignado, as taxas encerraram junho em 120,3% ao ano, alta de 13% desde janeiro. Já o encargo para empréstimos consignados para servidores públicos ficou em 20,8% ao ano em junho, com acumulada no ano de 1,4%.

A alta nos custos do crédito não acompanha a Selic, atualmente em de 6%, menor patamar da história desde março de 2018. Os bancos estão captando dinheiro mais barato nesse período em que a Selic permanece baixa, mas não estão repassando a redução para o cliente.

Fonte: FEEB BA/SE