A Caixa Econômica Federal informou oficialmente nesta quinta-feira (12) o adiamento da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua área de seguros e previdência, uma das partes mais rentáveis do banco e fundamental para impulsionar o desenvolvimento do país, junto com loterias, cartões e ativos. A meta da gestão Pedro Guimarães era arrecadar mais de US$ 10 bilhões.

O anúncio de suspender momentaneamente o processo de abertura de capital da Caixa Seguridade, que representa o quarto maior grupo segurador do Brasil, confirma notícia da Reuters, publicada na última segunda-feira (9). Segundo a agência, o IPO fica suspenso pelo menos até julho de 2020. Essa, aliás, é a segunda interrupção para a venda da subsidiária, sendo que a primeira ocorreu em 2015.

Consta ainda que a a decisão foi motivada pela atual conjuntura do mercado mundial, com turbulência nas Bolsas de Valores, queda nos preços do petróleo e temores dos investidores sobre a pandemia de coronavírus. O prospecto preliminar do pedido de abertura de capital da Caixa Seguridade tinha sido protocolado em 21 de fevereiro na B3 (Bovespa).

Argumentos contra o IPO da Caixa Seguridade

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Pedro Ferreira, avalia positivamente o adiamento, mas alerta que a luta continua. “Foi uma importante decisão. Precisamos aproveitar esse tempo para reforçar ainda mais a mobilização em defesa da Caixa 100% pública e contra a venda de áreas estratégicas do banco. O IPO da Caixa Seguridade abre forte precedente para a entrega da própria Caixa à iniciativa privada”, denuncia. Segundo ele, a sociedade deve juntar-se aos empregados do banco na defesa desse grande patrimônio do povo brasileiro.

Jair Ferreira considera a suspensão do processo de abertura de capital da Caixa Seguridade um passo necessário, embora a solução ainda esteja longe de ocorrer. “Encaminhamos uma carta ao Presidente da República, na qual solicitamos que os auxiliares do governo federal sejam orientados a não venderem as partes rentáveis da Caixa e de outras empresas públicas”, lembra o presidente da Fenae.

O objetivo, segundo ele, é pressionar e mostrar à população que o país, a sociedade e os trabalhadores perdem com o fatiamento do banco que exerce a função de impulsionador do desenvolvimento econômico e social.

Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, reforça o alerta de Jair Ferreira: o adiamento amplia o prazo para a realização de iniciativas de resistência, que já vêm sendo feitas. “Assim, teremos mais tempo para fazer o debate com a sociedade de como a privatização das operações da Caixa, planejada pelo governo, poderá enfraquecer o banco a médio prazo e tirar a sua capacidade e autonomia para os investimentos públicos”, declara.

A representante dos empregados no CA defende que as entidades representativas estabeleçam uma agenda de discussões com setores da sociedade, parlamentares e empregados sobre os prejuízos que essas ações podem causar ao patrimônio público e à soberania nacional. “A consequência disso já pode ser verificada nos preços do gás, da gasolina e na diminuição dos investimentos públicos”, diz.

Rita Serrano afirma que esse debate é fundamental porque existiam, até recentemente, as ações do mercado para pressionar o governo pela privatização de estatais. E conclui: “A Caixa, mais do que nunca, tem um papel relevante para ajudar o país a diminuir o impacto da crise mundial, voltando a gerar emprego e apostando no caminho do desenvolvimento, tanto quanto as demais empresas públicas”.  

Fonte: FENAE