Para quem sofre de síndrome de burnout, pensar no dia de trabalho é um verdadeiro martírio. O sofrimento já começa à noite, que é tomada pela insônia, pensamentos negativos, preocupação exagerada, palpitações, um sofrimento psíquico. O cansaço excessivo físico e mental é inevitável. Trabalhar é quase impossível. Não à toa os afastamentos pela doença saltaram assustadores 823% nos últimos quatro anos no Brasil.
Os dados do Ministério da Previdência Social mostram que os riscos psicossociais representam uma perda anual equivalente a 1,37% do PIB (Produto Interno Bruto) global, de acordo com estimativa da Organização Internacional do Trabalho.
No ano passado foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária por esgotamento profissional. Em 2021 eram 823, quase nove vezes mais. No Ministério Público do Trabalho, crescimento também. As denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho saíram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025, elevação de cerca de 438%, ou 832 registros a mais.
Diante das transformações no mundo do trabalho, que aprofundaram as cobranças por produtividade, as metas e o assédio, em um cenário de direitos dilacerados, sobretudo após a reforma trabalhista de Temer (2017), a mudança na gestão das empresas é emergencial.
No dia 26 deste mês, entram em vigor as atualizações da NR! (Norma Regulamentadora nº 1), que obrigam as empresas a incluir riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos. Sem dúvida, importante, mas é preciso haver rigor na fiscalização e, mais importante, punição em caso de descumprimento.
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