Apesar de o Brasil ter registrado, ano passado, o menor índice de mortes violentas intencionais desde 2012, a violência contra as mulheres segue em direção oposta. De acordo com dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 44,4% das brasileiras assassinadas foram mortas por razões de gênero. É o maior percentual desde que o feminicídio foi incluído no Código Penal Brasileiro, em 2015.
No ano passado, 1.571 mulheres perderam a vida, o equivalente a 4,3 feminicídios por dia. A taxa nacional chegou a 1,4 vítima por grupo de 100 mil brasileiras, aumento de 4% em relação a 2024.
Se for parar para observar, um feminicídio raramente acontece de forma repentina. É uma sequência de violências que, muitas vezes, passa despercebida, é minimizada ou não recebe a resposta necessária das instituições e da sociedade. A morte é o último capítulo de uma história marcada por ameaças, agressões, controle e medo.
O anuário mostra que as tentativas de feminicídio também aumentaram. Ano passado, 4.189 mulheres sobreviveram a este tipo de violência, alta de 5,9% em comparação com o ano anterior. Isso quer dizer que, para cada morte consumada, houve quase três tentativas.
Para cada feminicídio registrado, o Brasil contabilizou 502 casos de ameaça, 182 agressões físicas e 79 crimes de perseguição (stalking) contra mulheres. Ou seja, uma cadeia de violência que precisa ser urgentemente interrompida.
Os desafios são longos. Fortalecer a rede de proteção, garantir acolhimento às vítimas, responsabilizar os agressores e, sobretudo, romper a cultura que naturaliza o controle, a intimidação e a violência contra as mulheres.
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