Mais uma prova da intromissão criminosa dos Estados Unidos na eleição brasileira. Anúncios favoráveis ao presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, têm sido impulsionados em dólar a partir dos Estados Unidos para adulterar a campanha eleitoral. Levantamento da Agência Pública identificou 1.069 anúncios com menções ao candidato e a Lula nas plataformas da Meta, que receberam pelo menos US$ 120,8 mil em impulsionamento e chegaram a mais de 82 milhões de impressões.
Entre os conteúdos impulsionados estava uma publicação que utilizava uma fala de Lula retirada de contexto para criar uma interpretação negativa sobre o presidente. A falta de identificação política neste conteúdo e em outros posts circulados com a mesma finalidade eleitoral, permite que sejam apresentados aos usuários como publicidade comum, sem transparência sobre seus responsáveis. Parte dos anúncios foi financiada pela PagoLink Global, plataforma norte-americana indisponível no Brasil.
A própria forma de pagamento revela o problema. A legislação brasileira proíbe o impulsionamento eleitoral que não seja contratado diretamente pelo candidato, partido ou federação e deve sair diretamente da conta eleitoral. O uso do recurso para propaganda negativa contra adversários também é proibido por lei. Portanto, o problema não está apenas no endossamento dos Estados Unidos à campanha de Flávio Bolsonaro, mas na tentativa de manipular o eleitor por meio de estruturas pouco transparentes. Em uma eleição, esconder quem paga por uma mensagem significa também esconder do eleitor a intenção por trás dela.
A Meta, ao ser questionada, afirmou que seus sistemas identificaram a falta de sinalização sobre o caráter político dos anúncios e argumentou que mantém os critérios de revisão atuando durante todas as etapas da veiculação. Na prática, porém, a retirada dos anúncios ocorreu somente após os conteúdos acumularem alcance de mais de 82 milhões de visualizações.
O apoio de Trump e de grupos do seu entorno a Flávio Bolsonaro acende alerta sobre esta aproximação. O candidato busca se apresentar como defensor dos interesses da pátria, mas cerca sua campanha de manifestações e ações de setores políticos estrangeiros, interessados no resultado da eleição. A soberania do processo não deveria estar relacionada a interesses políticos dos Estados Unidos ou de qualquer outra nação.
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