Entidades se manifestam em repúdio às listas de boicote compartilhadas por bolsonaristas, com a identificação de empresas, comércios e trabalhadores de esquerda, em razão de opiniões políticas contrárias. O MPT (Ministério Público do Trabalho), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e organizações empresariais alertaram para os riscos jurídicos e democráticos.


A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) foi uma das primeiras organizações a se manifestarem. Em nota, a entidade condenou a circulação das listas e alertou para as implicações da campanha, que prejudica não só os empresários, mas também os funcionários que dependem da atividade econômica para obter renda, também podem gerar responsabilização civil e judicial aos envolvidos.


A OAB reforçou que a liberdade de manifestação e a pluralidade de ideias atende pilares do Estado Democrático de Direito e qualquer ato discriminatório ou que gere constrangimento pode resultar em responsabilização legal.


O MPT, por sua vez, entrou com ação judicial cobrando que a Meta retire do ar os conteúdos que orientam e incentivem os patrões a praticarem perseguição e demissões em massa por razões políticas. Segundo o procurador Maurício de Mello, 3.080 denúncias de assédio eleitoral foram registradas desde o início da campanha. Destas, 1.140 foram registradas apenas nos três dias posteriores ao segundo turno.


A situação foi comparada à perseguição a comerciantes judeus durante a Alemanha nazista. A deputada Manuela D’ávila (PSOL-RS) lembrou que, em 1933, os nazistas organizaram um boicote nacional contra estabelecimentos e profissionais judeus, através da circulação de listas muito parecidas com as divulgadas atualmente pelos bolsonaristas. Para ela, a divulgação de nomes com objetivo de causar prejuízos econômicos por razões políticas constitui uma prática autoritária que deve ser combatida.

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